13 de dezembro de 2005

Corrente do bem

Quantas vezes já ouvi isso na minha vida? Muitas, certamente. Primeiro porque eu tinha que fazer parte dela, professores, amigos e afins, me dizendo que deveria cumprimentar as pessoas, fazer doações, ser responsável pelos meus atos e por aquilo que conquistava. Depois passei pela fase: cuidado com o que projetas, a reação pode ser negativa ou positiva.

Blá, blá, blá ... a corrente do bem existe, ok eu já estou nela, mas acho que muita gente se perdeu. Não vejo mais tantas pessoas comigo nesse cordel. Vejo sim os amigos de sempre ali, mas aquelas caras sem nome não estão mais seguradas nessa fila. Se já eram desconhecidos, agora então estão esquecidos, subjugados pelas suas inseguranças e egoísmo.

Comecei a me lembrar disso porque o Arthur, no alto dos seus dois anos e 10 meses me perguntou o que era fogo. Putz, como explicar o que é fogo? Ele sabe o que é fogo, mas queria saber uma segunda opinião. Lembrei que se dissesse do poder destrutivo do fogo poderia causar um impacto negativo no gurizinho. Além disso, se dissesse que o fogo é bom poderia pô-lo em risco. Então usei o meio-termo. Lembrei da corrente do bem na hora e tentei orientar um serzinho capaz de discernir as coisas e não ver tudo pelo lado negativo, como o fogo, por exemplo, que além de queimar, aquece a comida e dá belas formas à arte.

Quando o vidro é derretido no fogo ou o metal a finalização nos embevece. Além disso, o fogo nos dá o calor que precisamos pra sobreviver quando está muito frio na lereira da casa do vovô Negrinho. “Cuidado, o fogo é muito bonito, nos aquece e nos proporciona as belas formas do vidro e dos metais, mas ele também é destrutivo. Quando propagado numa floresta mata os animais e as árvores. Portanto, é preciso respeitar a natureza do fogo, que existe pra ser o que é, fogo. O que fazemos dele é que nos diz se é bom ou ruim”. Terminei observando que o rostinho dele estava não só entendendo como muito orgulhososo de ter tido ele mesmo essa idéia antes de mim.

Terminada essa longa explicação ele salta: “árvore tem vida né Lê? Como a grama, os animais e a gente. Não pode botar fogo, mata”.

Essa é a corrente do bem de que falava. Não quero um eco-chato como dizem alguns econo-malas, mas só alguém que sabe que pra tudo há duas maneiras de ver, como experiência ou como derrota. Meu sobrinho certamente vai crescer sabendo que não existe vitória sem experiência. E nem sentido em saber tudo só da maneira mais simples. Se dará conta de que pensar é bom, tirar conclusões é saudável, mas observar e não julgar é melhor ainda.

Ao final das contas, vai descobrir que o fogo é encantado. E o cordel do bem vai aumentando à medida que conquistar novos adeptos. Como eu com ele.
Foto:
Senhor do Fogo - Paulo César

3 comentários:

Anônimo disse...

This is the play... Love yah.

Anônimo disse...

O cara vai ser feeeeeeeeeera.....com essa tia até eu seria o máximo.

Mas se quiser ter o teu...tô aí rsrsrsrs.

Bjs Léo

Letícia Baptista De Castro disse...

Gracinha Léo...mas ainda não, ainda não. Valeu a oferta. Ah, falei com o pessoal pra gente fazer uma reuniãozinha no início do ano.

Beijão