Ainda me é um mistério como um escravo se mantinha em pé, com a força dos pulmões em dia e com o coração em pleno funcionamento diante da opressão e da dor. Negros vivos em corpos fracos pela dor, e ao mesmo tempo fortes pela lida insuportável.
É sufocante saber que existiu um mundo escravagista, é dolorido descobrir a tortura aos negros, indígenas e outros tantos povos que sucumbiram à sede de poder e cobiça dos ignorantes.
A dor maior é saber que escravidão está longe de acabar. E ainda pior à medida que os expostos a esse absurdo vão mostrando carinhas inocentes e ainda indiferentes ao que a vida lhes deve: dignidade. Crianças em regime de trabalho escravo no Brasil - meu país que acolheu negros africanos pra construir uma riqueza que jamais chegou a beneficiá-los, bem oposto disso. Matou, surrou e injustiçou. Se hoje temos uma cultura forte, uma lingua linda e um povo genuinamente alegre, temos que reconhecer o esforço dos negros indomáveis. Saíam do tronco com a alma renovada pelas feridas da injustiça. Devemos muito aos negros e ainda há gente que não entende.
Até quando o ser humano vai se auto-destruir? Até quando as pessoas vão ignorar o fato de que independente de cor, credo, tamanho e lingua, são todos feitos da mesma essência. Digo isso com um medo enorme de estar enganada, pois não me vejo numa mesma "espécie" que estes brutos dominadores fazem parte. Não entendo e não aceito.
Alguém aí entende? Se aceitar, por favor, nem me contem, a inconformidade seria intolerável até pra mim que pratico a tolerância.
P.S: escrevo isso depois de dormir à tarde e sonhar que estava vendo um escravo sendo "torturado" no tronco.... Não sei porque raios sonhei com isso, mas o fato é que acordei chorando. Meus sonhos são loucos..... Muito loucos.
Letícia De Castro
(Vivam e deixem viver malditos opressores)
3 comentários:
...e eu pensando que sonhavas comigo... tstststs
Nossa... eu achava que vivia isolada neste "meu" mundo, onde me sinto exatamente assim e agora vejo que não estou só. Que assunto importante, atual e cruel, cruel por sabermos que o mundo é assim. Parabéns Letícia, que sensibilidade, que talaento
Ai Kátia, que legal que tu achaste isso. Aparece sempre por aqui. Eu estou trabalhando muito, mas de vez em quando sai algo que presta hehehe.
Beijão
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