7 de abril de 2006

Dia do Jornalista

Muita coisa me passa pela cabeça nesse dia. Uma comemoração de pertencer a uma classe trabalhadora, mas ao mesmo tempo, preocupação de não se sentir inserida na pauta.


Pertinente um texto que recebi do amigo Montserrat falando da diferença do profissionalismo e da vocação. Aqui estou eu, no dia do jornalista em busca da própria conclusão se sou uma profissional ou uma jornalista por vocação. O texto se referia à vocação para a política, e eu só sofrendo pelo profissionalismo dela. Mas esse é outro assunto.


Estou em crise profissional justamente porque não consigo exercer da maneira que gostaria a minha vocação. Se é que alguém ainda acredita em fazer as coisas por prazer, por respeito ou com dignidade. O jornalismo, quando ainda nem sabia o que queria como profissão, mas sentia a vocação pra comunicação me chamando, era um território livre, conquistado pelos rebeldes das artes dos anos 70. Esse era o ambiente que eu sonhava no jornalismo. No meio do caminho - na faculdade - já comecei a ver a imagem turva da censura.


Quem tem empregador sabe do que estou falando e quem tem o vírus da informação também. É claro que trazemos um conhecimento empírico, uma formação que nos impede de ser imparcial - utopia achar possível a imparcialidade num mundo tão à direita. Ou se é contra ou a favor, e não me venham com FHCsismos de centralização que não cola.


Pois bem, dia do jornalista e o máximo de homenagem que consigo prestar aos colegas é dizer que não tá morto quem peleja. Que Herzog não morreu a toa, que a liberdade de imprensa, embora hoje conhecida como liberdade de empresa é possível nos livros, nas biografias, nos quadrinhos, nas rodas de amigos, no msn, no telefone e no e-mail.


Muito boa sorte caros amigos, que a agência nos prestigie com boas contas e que a carta fique cada dia maior. Continuemos observando a imprensa como as bundas dos transeuntes entre as folhas do estado ou do globo todo. Nós temos sim uma vida super interessante, digna de admiração e veja você, que a zero hora nos entorpece com o sono emburrecido, o povo corre pro correio e a moda é ser fiel aos que nos pagam. Isto é, o importante é estar calado aos problemas, cego na incerteza e surdo para a denúncia. E quando houver denúncia, não precisa correr pra confirmar - publica que depois a gente pensa nisso.


Está difícil com o jornalismo imediato e portanto perigoso de acreditar. Fica difícil com a edição irresponsável ou responsável pelas finanças da empresa. Continua complicado, mas nós somos vocacionistas. Arte, política, economia, esporte, beleza, cultura, gastronomia, informática, crianças, moda, cinema, tv, fechamento de jornal, reunião de pauta, marcar com a fonte, editar o vt, entrevistar o convidado no estúdio, buscar uma vinheta, sonhar com as férias, beber e falar das pautas inúteis, repórteres reclamando dos produtores, editores reclamando dos repórteres, produtores levando problemas pra casa e chefia insatisfeita com a vida. E claro, a glamourização do jornalismo que nos impele ao desemprego.


Parabéns.

3 comentários:

Letícia Baptista De Castro disse...

Só pra constar: ambiente é sem agá caso alguém tenha visto minha falha ao tirar o habitat e editá-lo pra ambiente sem tirar o agá hehehe.

Anônimo disse...

Tive que pegar uma cervejinha belga pra ler isso e ainda assim me parece as vezes uma incógnita heehehe. Mas muito inspirado, quando lembrou Herzog ateh me arrepiei, malditos milicos! haeheheaeu Mas nem eskenta, tudo q eh depressivo passa guria, e meus parabens pelo teu dia minha jornalista favorita! Um beijão do negão! aeiuheaiu

Letícia Baptista De Castro disse...

Se eu tivesse uma cervejinha belga acho que sairia melhor hehehehe. Obrigada por tudo, mas especialmente pelo "jornalista favorita" hehehe. Beijão