8 de janeiro de 2006

A boazinha morreu

Ainda sem palavras ela chorava. A amargura e as lágrimas que saíam dos olhos vermelhos formaram um coquetel belicoso. A dor era tanta que quase dava pra sentir a metros de distância. Ela certamente foi pega de surpresa pela própria ingenuidade. E, embora tardiamente, viu refletida nela mesma o que sempre evitou – a imagem do ciúme.

Ela voltou a ter consciência dos ciúmes, e vai pagar caro por isso. Esse veneno, quando correndo nas veias, dói. Ainda mais pra quem sofre sozinha – não demonstra e nem comenta.

E sabem e uma coisa? Ela morreu. É, ela morreu. Foi sem saber que nada disso valia a pena. A mocinha ingênua se foi.

A boa notícia é que a substituta é muito mais esperta, e a repartição agora vai funcionar mais rápida, muito mais dinâmica. E sem muitos sentimentalismos, como antes da ingênua tentar ocupar um lugar que não era dela. A ciumenta se foi, e a que ficou é bem melhor. Ô se é.

A boazinha morreu sem saber que se envenenava com o que chamava de amor.

Nessas horas a autora pensa que é uma pena que as boazinhas ainda existam para encher o saco. Argh.
"Meu propósito é ajudar o melhor possível as pessoas que vivem num constante inferno. Não no além, mas aqui mesmo na Terra...Minhas descobertas científicas, minhas teorias e métodos, visam torná-las conscientes deste inferno, para que dele possam se libertar".
Freud
Freud bem que tentou, mas as mazelas causadas por esse sentimento incoveniente ainda existem, à despeito do que precisamos.
Citações sobre o Veveno do Ciúme!!
* Imagem é obra de Frida Khalo - O suicídio de Doroty Hale.
Letícia De Castro
(com medo de sorver esse veneno)

3 comentários:

Letícia Baptista De Castro disse...

Pra constar: não é auto-biográfico hein!!!! Eu sou a boazinha, mas que não morreu - Boazinha Paladina!!!

Anônimo disse...

Achei que fosse auto-biográfico. Adoro contos escrito na terceira pessoa. Costumam confundir...
Eu, passei por uma enorme transformação. Deixei o sentimentalismo de lado e me tornei mais independente- emocionalmente falando.
Só fiquei com uma dúvida... A mocinha morreu envenenada pelo ciúme ou pelo excesso de amor (não necessariamente gerado pelo sentimento exagerado de posse)?

Letícia Baptista De Castro disse...

Feeeeeeeeito, é esse o espírito. Ela sorveu o veneno do ciúmes - uma droga auto-gerada exatamente pela "endorfina" do amor. Ela não soube medir bem as doses, adicioneou arenalina e deu-se a tragédia. Pegou bem o espírito Kellita.
Mas não é auto-biográfico não, só vi acontecer bem diante de mim. Na verdade muitas vezes com as amigas, e umas poucas comigo mesma há mil anos.
Beijão e volte sempre!!!